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MATEUS ALVES

Compositor, arranjador e baixista

Natural de Recife, Pernambuco, Brasil, Mateus Alves é graduado em música pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre em composição pela Royal College of Music, Londres, Reino Unido – onde também estudou música para cinema. Desde 2013 Mateus vem trabalhando constantemente com trilhas sonoras para filmes pernambucanos.  Recentemente concluiu, em parceria com Tomaz Alves Souza, a trilha sonora original do longa-metragem "Bacurau", de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, que ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019. Seu trabalho combina materiais da música popular do Nordeste brasileiro com técnicas texturais de compositores como György Ligeti, passando por influências que vão de John e Alice Coltrane, Clóvis Pereira, Sarah Davachi e Ennio Morricone a Soft Machine, Bernard Herrmann, Mica Levi e Giacinto Scelsi.

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ÁLBUM

A música é uma potência que se expande para além dos domínios do som. O compositor Olivier Messiaen trabalhou esta capacidade ao propor a escuta da “cor do tempo” em “Chronochromie”. Por sua vez, Mateus Alves nos revela o som da imagem no álbum “Música pra Cinema”.

Como o nome indica, o disco compila as trilhas sonoras do compositor para filmes como “Rodolfo Mesquita e as Monstruosas Máscaras de Alegria e Felicidade” (2013, dir. Pedro Severien), “Amores de Chumbo” (2017, dir. Tuca Siqueira),  “Brasil S/A” (2014, dir. Marcelo Pedroso) e “Aquarius” (2017, dir. Kleber Mendonça Filho). Com os dois últimos, ele recebeu o prêmio de Melhor Trilha Sonora no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, respectivamente.

Se o cinema é a música da luz, o compositor pernambucano apresenta neste álbum uma espécie de filme da música. As faixas possuem uma vitalidade sinestésica que evoca personagens, locais, cheiros, cores, climas, imagens e situações cheias de nuances. Com ritmo marcial e metais imponentes, “Marcha das Máquinas” traduz em som as desigualdades de um país que se industrializou rapidamente, como retratado no longa "Brasil S/A". Um progresso violento que menosprezou a distribuição de renda e passou por cima das cidadanias dos mais pobres. De tratamento mais textural e sutil, “Lançamento do Operário Espacial” ("Brasil S/A") e “Casa de Detenção I” ("Amores de Chumbo") materializam a solidão do trabalhador e a melancolia do cárcere.

Sintetizando o jazz de Coltrane, a música romântica de Wagner e Tchaikovsky, valsa, minimalismo, música nordestina como baião e até rap, o álbum indica um retrato polifônico e plural do Brasil. As trilhas sonoras de “Música pra Cinema” são também as trilhas para os complexos roteiros da nossa sociedade, com suas desigualdades e contradições políticas, sociais e estéticas.

Texto: GG Albuquerque

Arte: Clara Moreira

Obs: maiores informações técnicas sobre o álbum em mateusalves.bandcamp.com

 
 
 

CONTATO

São Paulo, SP, Brasil

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